Um roteiro a pé pela Cidade Velha de Tbilisi
Passeios pela cidade velha

Um roteiro a pé pela Cidade Velha de Tbilisi

Resposta rápida

Quanto tempo demora a percorrer a Cidade Velha de Tbilisi?

Um percurso concentrado desde a Praça da Liberdade até à Fortaleza de Narikala e Abanotubani demora três a quatro horas num ritmo tranquilo, incluindo o teleférico até à fortaleza. Acrescente mais uma hora se subir totalmente as muralhas da fortaleza ou parar para khinkali pelo caminho.

O que a “Cidade Velha” realmente abrange

A Cidade Velha de Tbilisi não é um único bairro de contornos definidos. É uma cunha da cidade espremida entre o rio Mtkvari e a crista que sustenta a Fortaleza de Narikala, estendendo-se aproximadamente desde a Praça da Liberdade a norte até ao bairro dos banhos de enxofre de Abanotubani a sul, com as ruas mais arborizadas de Sololaki a subir a encosta para oeste.

Sobreviveu ao século vinte aos remendos, e não como um todo: alguns quarteirões foram fortemente restaurados antes de Tbilisi acolher os Jogos Europeus da Juventude Olímpica, outros foram deixados a degradar-se em silêncio, e um punhado dos melhores edifícios de varandas talhadas nas ruas Betlemi e Sioni continua sustentado por andaimes em vez de reparado. Essa irregularidade faz parte do que torna a zona digna de ser percorrida a pé, e não apenas fotografada de Narikala — as ruas comuns entre os marcos históricos revelam mais sobre a cidade do que os próprios marcos.

Este roteiro demora três a quatro horas num ritmo tranquilo, cobre tudo o que a maioria dos visitantes de primeira viagem quer ver, e assinala os dois ou três desvios que valem o tempo extra. Se só tiver um único dia na cidade, este passeio mais a fortaleza e os banhos formam um plano realista para um dia inteiro — veja Tbilisi num dia: um plano realista para perceber como a sincronização funciona a par das paragens para comer e de um descanso.

Ponto de partida: Praça da Liberdade

Comece na Praça da Liberdade (Tavisuplebis moedani), uma rotunda ampla dominada por uma estátua dourada de São Jorge sobre uma coluna, inaugurada em 2006 para substituir uma estátua de Lenine que ocupou o mesmo lugar durante décadas. Não é uma praça atraente por si só — sobretudo trânsito e edifícios municipais — mas fica diretamente sobre a linha vermelha do metro, o que a torna o local mais fácil para começar se vier de um hotel fora do centro. Veja Metro, autocarros e o cartão Metromoney em Tbilisi para perceber como funciona o cartão de transportes.

A partir da praça, siga para sul pela rua Sioni. Em poucos minutos a cidade moderna recua e os edifícios estreitam-se em fachadas de pedra de dois e três andares com varandas de madeira suspensas sobre o passeio, algumas do trabalho de varanda em madeira mais antigo que resta em Tbilisi.

Catedral de Sioni e Basílica de Anchiskhati

A Catedral de Sioni, na rua com o mesmo nome, foi a sede do Patriarcado Ortodoxo Georgiano até à conclusão da Catedral da Santíssima Trindade (Sameba) na colina oposta, em 2004. Foi reconstruída várias vezes desde a sua fundação no século sexto — a maior parte do que hoje existe data do século treze em diante, com danos posteriores da era persa e russa reparados de forma fragmentada. É uma igreja em funcionamento, não um museu, por isso cubra ombros e joelhos antes de entrar; veja Visitar uma igreja ortodoxa georgiana: vestuário e etiqueta se não tiver a certeza do que se espera.

Um pouco mais para sul, recuada da estrada, fica a Basílica de Anchiskhati, geralmente considerada a igreja mais antiga ainda de pé em Tbilisi, com um núcleo do século sexto sob acrescentos posteriores. É mais pequena e mais simples do que Sioni, e fácil de passar sem reparar — vale o desvio de dois minutos, mais do que um destino em si mesma.

Descendo até ao rio: Ponte da Paz e Metekhi

Continue em direção ao rio e chegará à Ponte da Paz, uma ponte pedonal curva de vidro e aço concluída em 2010, desenhada por um arquiteto italiano e mal recebida por bastantes habitantes de Tbilisi pela forma abrupta como rompe com a pedra e a telha da Cidade Velha. Seja qual for a opinião sobre a sua aparência, é a travessia mais fácil até ao Parque Rike e oferece um dos melhores ângulos fotográficos de volta para os telhados da Cidade Velha — veja Onde fotografar Tbilisi, hora a hora para a melhor altura do dia.

Na margem oposta, sobre um penhasco por cima do rio, ergue-se a Igreja de Metekhi com a estátua equestre do Rei Vakhtang Gorgasali, o fundador de Tbilisi no século cinco segundo a lenda da cidade (uma lenda que envolve um faisão ferido e uma nascente quente, que vale a pena perguntar a um guia em vez de a tomar como história assente). O terraço junto à igreja é um dos miradouros mais fiáveis sobre os telhados da Cidade Velha e a fortaleza — veja Os melhores miradouros de Tbilisi para a lista completa.

Rua Chardin, Erekle II e Shardeni: o núcleo restaurado

De volta ao lado da Cidade Velha, as ruas Erekle II, Shardeni e Chardin formam o trecho mais intensamente restaurado e mais turístico — vielas pedonais ladeadas de restaurantes, bares de vinho e bancas de lembranças, tudo sob fiadas de luzes de café. São genuinamente agradáveis de percorrer ao fim da tarde, mas convém ter noção clara sobre os restaurantes aqui: os preços correm visivelmente acima do que o mesmo khinkali ou khachapuri custa duas ruas mais adiante, e a qualidade é inconsistente dada a rotação de turistas. Trate este trecho como bom para uma bebida e para ver as pessoas passar, em vez da refeição da viagem; veja Onde comer em Tbilisi para lugares que valem o desvio.

Tbilisi: Tour Guiado a Pé pela Cidade Antiga cobre este trecho e as ruas à volta com um guia local que consegue apontar quais os edifícios originais e quais foram reconstruídos a partir de fotografias durante a restauração dos anos 2000 — algo genuinamente útil aqui, porque ao nível da rua é realmente difícil distinguir.

A Torre do Relógio de Rezo Gabriadze e o teatro de marionetas

A pouca distância de Shardeni fica a Torre do Relógio inclinada, construída pelo marionetista e artista Rezo Gabriadze junto ao seu teatro de marionetas — uma estrutura deliberadamente torta, de conto de fadas, coberta de fragmentos de azulejo e pequenas figuras, com um espetáculo mecânico de marionetas que sai de uma porta na torre em horas marcadas todos os dias (vale a pena confirmar o horário atual no local, pois pode variar). Fica bem em fotografia e não custa nada ver por fora; as sessões do teatro de marionetas no interior exigem bilhete e reserva antecipada em época alta.

Rua Betlemi e a subida até Narikala

A partir da torre do relógio, siga pela rua Betlemi, que sobe abruptamente pelo bairro na encosta abaixo da fortaleza. É aqui que a restauração se torna mais rara e a Cidade Velha se parece mais com o que era antes dos anos 2000: varandas de madeira inclinadas, roupa a secar entre edifícios, e degraus em vez de pavimento em alguns pontos. É um dos trechos mais fotogénicos precisamente por não ter sido suavizado, embora seja preciso atenção ao piso, especialmente depois de chover.

Betlemi acaba por encontrar o caminho e os degraus que sobem até à Fortaleza de Narikala. Todo o detalhe sobre a fortaleza em si, a alternativa do teleférico e o que realmente contêm as ruínas está em Fortaleza de Narikala e o teleférico: quanto custa e quando ir — vale a pena ler antes de se comprometer com a subida, já que o teleférico a partir do Parque Rike é mais rápido e evita totalmente o trecho mais íngreme.

Abanotubani: o bairro dos banhos de enxofre

Abaixo da fortaleza, no bairro conhecido por Abanotubani, casas de banhos de cúpula de tijolo assinalam o local das nascentes de enxofre que deram o nome a Tbilisi (tbili significa quente em georgiano). As cúpulas são a característica mais fotografada de toda a Cidade Velha, e os banhos por baixo delas são uma experiência genuína, não um adereço turístico — uma sala privada com piscina quente de enxofre custa aproximadamente entre 60 e 150 GEL por hora, dependendo da casa de banhos e de quanto tempo do dia quiser ficar.

O detalhe completo dos preços, qual casa de banhos escolher e o que envolve uma esfoliação kisa está em Abanotubani: o bairro dos banhos de enxofre explicado.

Atrás das casas de banhos, um caminho curto e fácil leva à cascata de Legvtakhevi, uma cascata modesta mas genuinamente bonita, escondida num desfiladeiro entre os edifícios — gratuita de ver, e geralmente tranquila, já que a maioria dos visitantes não sabe que ali está.

Tbilisi: Experiência Privada de Banho de Enxofre com Chá ou Vinho vale a pena reservar com antecedência em época alta (junho a setembro), já que as casas de banhos mais conhecidas enchem as suas salas privadas até meio da tarde nos fins de semana.

Porque é que a Cidade Velha parece feita de remendos

A irregularidade não é bem negligência, é antes história empilhada em camadas. Tbilisi foi saqueada repetidamente ao longo da sua história — mais devastadoramente pelo governante persa Agha Mohammad Khan em 1795, um episódio ainda referido nas histórias locais da cidade — o que explica porque quase nada do que hoje está de pé na Cidade Velha é anterior ao início do século dezanove, à exceção das fundações de igrejas e das pedras da fortaleza.

O que hoje se percorre é, na sua maioria, reconstrução do período imperial russo dos anos 1800, sobreposta por conversões de apartamentos da era soviética, que dividiram grandes casas de mercadores em apartamentos comunais, e depois uma vaga de restauração pós-independência que tem avançado de forma desigual, rua a rua, desde os anos 2000.

Alguns edifícios foram totalmente reconstruídos a partir de fotografias antigas para o Festival Europeu Olímpico da Juventude de 2015; outros, poucas portas mais adiante, continuam sustentados com escoras de madeira enquanto disputas de propriedade entre as famílias que agora vivem em apartamentos subdivididos permanecem por resolver. Saber isto faz com que o contraste entre uma fachada belamente restaurada e uma a desmoronar-se ao lado faça sentido, em vez de parecer simples abandono.

A Cidade Velha turística e a Cidade Velha vivida

Vale a pena ser honesto quanto ao facto de Erekle II, Shardeni e Chardin serem, a esta altura, sobretudo um produto turístico — agradável, mas não onde a maioria dos habitantes de Tbilisi come ou passa uma noite. As ruas um quarteirão atrás, particularmente em torno de Sioni e a subir para Betlemi, continuam genuinamente residenciais: estendais de roupa nos pátios, pequenas mercearias com placas escritas à mão, e vizinhos a conversar nas soleiras em vez de menus a três idiomas.

Nenhuma das versões é mais “autêntica” do que a outra — ambas são partes reais de como o bairro funciona hoje — mas se o objetivo é ver como as pessoas realmente vivem na Cidade Velha, e não como esta é apresentada aos visitantes, vale a pena vaguear deliberadamente uma rua atrás do núcleo pedonal em vez de permanecer nele o tempo todo.

Notas práticas: ritmo, comida e piso

Reserve mais tempo do que a distância a pé sugere. A Cidade Velha é pequena no mapa — menos de dois quilómetros de ponta a ponta — mas a superfície é quase toda em pedra de calçada e escadas de pedra irregulares, e a tentação de parar a cada poucos minutos por uma entrada ou uma varanda é real. Três a quatro horas é realista para o percurso completo incluindo a fortaleza; trate duas horas como o mínimo absoluto se saltar Narikala.

A comida pelo caminho é fácil de encontrar mas irregular em qualidade. Vale a pena reservar uma paragem para khinkali ou khachapuri para a rua Sioni ou para as ruas mesmo ao lado de Erekle II, em vez de diretamente nela, onde os preços sobem para os mesmos pastéis. Montras de padaria a vender pão shoti fresco e pastelaria são comuns por toda a zona e fazem um lanche razoável e barato a meio do percurso, por poucos lari.

As casas de banho públicas são escassas; os cafés geralmente esperam uma compra em troca do uso das suas, o que é uma troca justa aos preços dos cafés georgianos. A água vende-se por todo o lado e vale a pena carregar no verão, quando as ruas de pedra retêm calor até bem entrada a noite.

O que este roteiro deliberadamente deixa de fora

Este é um roteiro de primeira visita, não uma volta completa a tudo o que a Cidade Velha contém. Salta o Museu Nacional Georgiano e o edifício do Parlamento na Avenida Rustaveli, ambos a um curto desvio a norte da Praça da Liberdade e cobertos em separado em Avenida Rustaveli: o que realmente vale a pena parar para ver. Salta também o Parque Mtatsminda e o funicular, que fica acima da Cidade Velha na mesma crista que Narikala mas exige uma abordagem separada — veja Parque Mtatsminda e o funicular para esse percurso noutro dia, já que combinar os dois numa só saída resulta num dia muito longo em pé.

A vida noturna em Erekle II e os bares de vinho espalhados por Sololaki merecem uma noite à parte, em vez de se encaixarem num passeio diurno — veja Uma noite em Tbilisi e Bares de vinho de Tbilisi que valem um segundo copo para perceber onde esse trecho de ruas merece uma segunda visita depois de anoitecer.

Fechando o ciclo: de volta à Praça da Liberdade ou em frente

De Abanotubani pode voltar para trás pela Cidade Velha até à Praça da Liberdade, ou continuar para oeste até Sololaki para ver os edifícios Art Nouveau e as escadarias pintadas, o que acrescenta aproximadamente uma hora. Se a energia estiver a acabar, um Bolt de volta ao centro custa entre 5 e 12 GEL e tira a subida da equação.

Para uma estadia mais longa, este passeio é a espinha dorsal tanto de um plano realista para um dia como de Tbilisi em três dias, que constroem o resto de uma visita à sua volta — Mtskheta como excursão de meio dia, a região vinícola de Kakheti, ou simplesmente mais tempo em bairros como Fabrika e os pátios de Chugureti, que este percurso não cobre. Se ficar hospedado nas proximidades, veja Onde ficar em Tbilisi, bairro a bairro para saber que zonas o colocam a uma distância a pé de todo este percurso.

Tbilisi: Os 20 Melhores Destaques, Tour Guiado a Pé com Provas é a melhor opção se quiser o passeio pela Cidade Velha combinado com provas de vinho e comida ao longo do caminho, em vez de fazer as refeições em separado — cobre praticamente o mesmo terreno com paragens já incluídas.

Perguntas frequentes sobre o roteiro a pé pela Cidade Velha de Tbilisi

Onde devo começar um passeio a pé pela Cidade Velha de Tbilisi?

A Praça da Liberdade é o ponto de partida mais prático: fica sobre a linha do metro, tem a orientação mais clara e coloca a Catedral de Sioni e a descida para a Cidade Velha a cinco minutos a pé.

É possível percorrer a Cidade Velha de Tbilisi num só dia?

Sim. A Cidade Velha propriamente dita é suficientemente compacta para se percorrer a pé em meio dia. A maioria dos visitantes combina-a com uma viagem de teleférico até à Fortaleza de Narikala e uma paragem nos banhos de enxofre, o que preenche confortavelmente um dia inteiro sem pressa.

Preciso de um guia para percorrer a Cidade Velha de Tbilisi, ou posso fazê-lo sozinho?

O percurso é fácil de seguir sozinho com um mapa no telemóvel, já que a Cidade Velha é pequena e delimitada pelo rio e pela encosta. Um passeio guiado acrescenta contexto sobre edifícios que de outra forma passaria sem conhecer a sua história, o que é o principal argumento para reservar um, mais do que uma necessidade de orientação.

Que calçado devo usar para andar na Cidade Velha de Tbilisi?

Sapatos rasos e com boa aderência. As vielas em torno de Betlemi e Sololaki são ruas de calçada em subida, várias sem passeio adequado, e ficam escorregadias quando molhadas.

É seguro andar pela Cidade Velha de Tbilisi à noite?

As ruas turísticas centrais em torno de Erekle II e Shardeni mantêm-se iluminadas e movimentadas até tarde. Fora dessas, a iluminação diminui rapidamente nas vielas residenciais mais íngremes, por isso vale a pena levar uma lanterna do telemóvel se voltar depois de anoitecer.

Quanto custa o teleférico de Narikala como parte deste percurso?

Um trajeto simples custa cerca de 5 GEL, ou aproximadamente 1,70 euros, pago com o mesmo cartão Metromoney usado no metro e nos autocarros. É a forma mais fácil de fechar o ciclo entre o Parque Rike e a fortaleza sem voltar a subir a pé pelo mesmo caminho.

É possível fazer este roteiro a pé com crianças pequenas?

A maior parte, sim, já que as vielas principais são planas ou em ligeira inclinação. O caminho íngreme em ziguezague até Narikala a pé é mais difícil com um carrinho de bebé, o que é uma das razões para a existência do teleférico.

Qual é a melhor altura do dia para percorrer a Cidade Velha de Tbilisi?

De manhã cedo, antes das nove, ou nas duas horas antes do pôr do sol. Ao meio-dia, em julho e agosto, a temperatura ultrapassa os 35 graus nas ruas mais baixas sem sombra, e a luz nas duas pontas do dia favorece muito mais os telhados de telha e as varandas talhadas do que o brilho plano do meio-dia.

Tours a pé pela Cidade Velha no GetYourGuide

Tours GetYourGuide verificados com links diretos. Ao reservar por estes links, recebemos uma pequena comissão sem custo adicional para si.

Foto: a nossa própria imagem do local, não a foto de produto do operador.